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Cartas de um piloto de caça - PROMOÇÃO 30% de desconto
CARTAS DE UM PILOTO DE CAÇA - PROMOÇÃO 30% DE DESCONTO
O treinamento e o combate 1943 • 1945
Fernando Corrêa Rocha
Organização • Heliosa Rocha Pires
18.4X28.2 cm | capa dura | ilustrado | 256 páginas | 2012 | Rio de Janeiro | ISBN 978 85 88777 45 3 | Garda Fosco 150g
R$ 68,00

Um herói discreto • Não é difícil prever que este livro está destinado a ter muito impacto,  porque dá elementos de tipo singular para avaliar o papel da nossa Força Aérea na Campanha da Itália durante a Segunda Guerra Mundial, do ângulo muito vivo de um jovem tenente aviador da reserva.

Fernando Corrêa Rocha era um alegre estudante de Direito na Universidade de São Paulo quando passou de um curso local de pilotagem para o treinamento rigoroso de piloto de caça nos Estados Unidos, incorporando-se a seguir à FABe nela cumprindo com distinção, 75missões de guerra.

Eu o conheci bem desde os tempos em que foi meu calouro no Largo de São Francisco. Convivemos bastante e pude apreciar como era companheiro agradável, inclusive devido à grande musicalidade que o fazia entoar canções, marchas, sambas, foxes com voz afinada, além de brilhar na harmônica com perícia de virtuose. Tinha muito senso de humor e um toque de boemia, era sereno mas dotado de grande coragem, própria de sua família. Muito sociável e invariavelmente leal, sabia aglutinar os amigos em torno de si, sempre disposto a  ajudá-los, quando fosse o caso. As amizades que formou foram sólidas e afetuosas.

Estes traços se refletiram em sua atuação como piloto na guerra, não apenas marcada pelo constante arrojo, mas também pelo espírito de equipe e a alegria que carac-terizava a sua camaradagem. Foi ele um dos autores principais da letra e da música da impagável ópera composta no 1º Grupo de Caça por meio de colagem de textos de melodrama italiano e canções populares, alegre realização de retaguarda daqueles rapazes que expunham a vida diariamente mas não perdiam a alegria de viver e o bom humor.

As cartas publicadas aqui têm valor singular como documento sobre a guerra aérea e como revelação de uma personalidade timbrada pelo poder de decisão que destaca os líderes. Elas são despretensiosas, tendo a espontaneidade de quem deixa a pena correr sem segundas intenções, guiada pela naturalidade própria do diálogo com os pais. Sente-se que nem por um momento Fernando está pressupondo algum leitor estranho, e pelo resto da vida nunca lhe ocorreu a ideia de publicá-las. É com sinceridade por assim dizer em estado de pureza que vai relatando os pormenores do dia a dia, a natureza do seu aprendizado específico e, depois, as ações de guerra nas quais se envolveu, desde a rotina até os momento dramáticos.

Do mesmo modo que o livro Mina R, do cabo Roberto de Mello e Souza, para a atuação da FEB vista de um ângulo pessoal, estas cartas são um testemunho que faz sentir a atuação- da FABcom um toque insubstituível de experiência vivida. Elas são a emocionante fé de ofício de um herói discreto. • ANTONIO CANDIDO

"Cartas de um piloto de caça"  traz o testemunhode um estudante da Universidade de São Paulo que se apresentou voluntariamente ao Ministério da Aeronáutica, obtendo dele bolsa para treinamento em escolas de aviação americanas, de onde partiu para atuar como piloto de caça na Itália, de 1944a 1945. Em  cartas aos pais, e notas de caráter extremamente pessoal, produziu uma visão viva do aprendizado e das ações da guerra, que a Ouro sobre Azul tem o prazer de trazer a público, nesta edição.

Fernando Corrêa Rocha, filho de Hilda Correia Rocha e de Candido de Moraes Rocha, nasceu em São Paulo em 12de julho de 1921,vivendo em Araraquara, na fazenda dos pais, durante toda a infância e parte da adolescência, ao lado dos quatro irmãos: Maria Elisa, Carlos Eduardo, Gilda e Renato.

Estudou no colégio Arquidiocesano, em São Paulo, indo cursar, mais adiante, a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, período em que sentiu crescer uma poderosa vocação desde as primeiras aulas de piloto aviador, nas quais ingressara.

Em 1941,o jornalista Assis Chateaubriand promoveu o movimento DeemAsas ao Brasil,contribuindo decisivamente, com ele, para consolidar a aviação em nosso país. Foi aí que Fernando e alguns colegas de faculdade, igualmente aficionados como ele, obtiveram de empresários paulistas um monomotor doado ao hangar de Renato Pedroso, grande piloto da época, em troca de aulas de pilotagem a todo o grupo.

Enquanto se adestrava continou os estudos de inglês até se inscrever, em São Paulo, num organismo do setor aeronáutico, espécie de IVComar da época e, assim que recebeu o brevê, partiu para o Rio de Janeiro onde se alistou no recém-criado Ministério da Aeronáutica com a intenção de ir para os Estados Unidos fazer o curso de piloto de caça.

Foi para a San Antonio Aviation Cadet Centere, em seguida, para Corsicana Army Air Field, Waco e Eagle Pass, ou seja, a Advanced Flying Schoole Harding Fieldem Baton Rouge. De onde, já com mais de 200horas de pilotagem no P-47,avião usado pelosEUAna Europa, durante a SegundaGuerra Mundial, saiu com o passaporte carimbado para Suf-folk Army Air Fieldem Long Island, partindo daí com o 1ºGrupo de Caça Brasileiro para a Itália, em setembro de 1944.

Fernando fez 75missões de combate e recebeu todas as mais altas condecorações das aeronáuticas brasileira e americana. Quando voltou ao Brasil entrou para a aviação comercial, trabalhando primeiro na Panair, depois na Varig. Aposentou-se como consultor técnico para a construção de aeroportos, na Hidroservice Engenharia.

Até a morte, em abril de 2008, não havia deixado transparecer gosto especial pela escrita, até que uma das filhas, Heloisa, remexendo fotografias e papéis, ao tentar pôr ordem nos guardados do pai, descobriu essas cartas e um pequeno diário. Impressões do rapaz de 22anos – quase um menino – que num ímpeto, misto de heroísmo e curiosidade, somados a um perfil moral rigorosamente ético, se entregou de corpo e alma à causa aliada, na SegundaGrande Guerra, tornando-se parte da sua história e da participação que o Brasil teve nela. 



IMPRENSA

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ÍNDICE

• Introdução / Coronel Hugh D. Dow
• Um herói discreto / Antonio Candido
• As cartas:
- 1943
- 1944
- 1945
• Condecorações
• Apêndice
• Identificação da iconografia
• Bibliografia